Por tanto tempo estive
enrodilhada
na morte e pela morte
que quando vislumbrei o clarão
por trás da pedra
que me mantinha presa no escuro
demorei a entender
que era preciso empurrar
com força
ira
e coragem
para que a abertura plena
deixasse a luz me encharcar.
Quando finalmente
a pedra foi retirada
e a porta se escancarou
o sol ardente me recebeu
e em direção a ele caminhei
não sem tremor e dor.
E ainda dói saber
do que ficou lá dentro
da caverna escura.
Havia um homem comigo
e ele gemia sua dor em meus ouvidos.
Eu o deixei lá.
Minha pele agora exposta ao sol
lamenta levemente
na lembrança do homem
que gemia em meus ouvidos.
Mas eu o deixei lá.
Desatada,
corri para o sol.
Entrego a Ti, minha Mãe,
o homem que sofre
porque eu agora
floresço sem dor.