Vem, Madalena,
que tão de perto conheceu o Amor,
vem me mostrar o rastro de luz
capaz de amansar esse fogo
de raiva e secura que me devora a carne.
Vem, Madalena,
que tanto foi vilipendiada
pelos que fingem seguir o Amor,
vem me ensinar a fazer desse fogo
a luz que Ele vê em nós.
Vem, Madalena,
que soube se deixar transformar pelo Amor,
vem me transformar, no cadinho do seu coração,
para que eu possa sair do tumulto do fogo
e me reencontrar como uma sua irmã.
Vem me buscar, Madalena,
e me ajudar a ver
no meio do fogo
a vida nascente que brota
contra tudo o que veio
para torná-la estéril.
Mas tu me dizes que a raiva
é o fogo que transforma
e que devo me deixar queimar
para que a vida nascente seja
a minha.
Fica comigo, Madalena,
enquanto queimo
e temo me perder do Amor.