domingo, 27 de fevereiro de 2022

O ESPINHO CRAVADO

Hoje me demorei no banho -
a água escorria tão boa na minha pele
pronta para o prazer.
Eu tinha tempo
água
calor
espaço
alegria.
Eu tinha o coração aberto
à dádiva que é viver.
Os dons escorriam em mim
com a água
nem quente nem fria.
Nada me faltava
nada me falta
e a Tua presença me aquece
cada dia
e a cada dia não me falta o pão.
Mas a dor irrompeu no meio do meu peito.
Juntou-se à água do banho a lágrima ressequida.
Porque a tantos falta 
a água
o tempo
o calor
a alegria
o espaço
e o pão.

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Um dia li: eu e o mundo chegamos ao ponto de trigo maduro. Queria outras palavras, mas essas são exatas.