Tem uma dor.
A dor que me fratura desde...
A dor que me atravessa o peito
como madeira da cruz.
Que arde e atordoa e paralisa.
(Quisera viver sem ela.)
Tem o mundo em torno
e nada que está nele me salva.
A dor tem a face do rosto que me deixou perdida.
O rosto que partiu e me marcou.
A face do meu pai que não me sorri mais.
Não me pega mais com sua mão quente e firme,
nem mesmo me faz sofrer com sua própria dor.
A dor dele cessou e abriu em mim uma cratera
intransponível
que me separa da minha alegria.
Mas às vezes, Ele vem.
E seu amor me faz submergir na alegria que não é a minha,
mas que se faz minha,
e me salva de mim.
(Março de 2021)
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