Estou à beira do poço
e sirvo água aos homens
que se aproximam sedentos.
Chegam de muitos modos
uns com pressa
uns com exigência
uns com medo
uns sem força
outros com olhos plenos
de quem também veio dar.
Eu sigo servindo e não me distraio.
Mas no fim do dia estou exausta
e me sento no chão molhado
apenas esperando o Teu olhar,
meu Pai amado.
Mas hoje quando me olhaste,
Teu olhar parecia indicar outra presença.
Me virei e vi o homem sentado logo atrás de mim.
Teu olhar então tomou força de carne
e me empurrou para o corpo outro que parecia me esperar.
Me encostei nele e foi como encontrar morada.
O Teu olhar então se fez calor
e criou passagens entre nossos
dois corpos agora entrelaçados.
O Teu amor nos guiou a ser
poço um para o outro.
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