quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Morsas

A morsa tem bigodes
presas grandes
e um corpo gordo
protegido por pele grossa.
Olho para a foto da morsa
intrigada
por sua beleza tão feia.
A cabeça pequena 
os bigodes 
os pés de pato
o jeito de se embolarem 
umas em cima das outras -
olho fotos diversas
e o que vejo me diverte.

És Tu, Amor que cria,
mexendo no mundo
como quem mexe
em minhas entranhas.
Sinto cócegas e sorrio:
o Teu mundo me conquista,
meu coração é flor aberta
a respirar em Teu jardim.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Felicidade

A felicidade é uma trilha de água e luz que caminha por dentro de mim clareando o que é sombra e nutrindo o que tem sede.
Sua fonte é a Água Viva.
Seu destino é o que vivo: uma casa linda e simples onde cabem bichos e filhas estrelas de amor, um trabalho rico, irmãos amigos e tudo em volta lindo como as flores do matinho do meu jardim.

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Depois

A turbulência foi tão grande
que me afastei de mim.
Mas sei que estavas comigo,
Amor perene,
e que me trouxeste até aqui.
E agora me revejo 
em sonho 
em carne -
na carne viva da dor 
e da alegria que assusta,
no sonho estranho
em que me dispo 
- inconveniente -
e embaraçada me contenho.
Mas a nudez não terá mais volta.
Agora sou como sonhei um dia:
desentranhada como um macacão
pendurado ao avesso no varal.

E os varais da minha nova casa
ficam sobre um jardim em que borboletas
pousam e voam.

A morada

Nos últimos anos construí
uma morada feita 
de afeto segurança e
companhia,
quando os muros no mundo
eram muitos
e precisávamos
uns dos outros para respirar.
Na casa tinha gentes e bichos
e espaço para os que chegavam.
Tinha apoio para braços e
corações cansados
e abertura para acolher.

Quando frestas se abriram
nos muros lá fora,
o que se encontrava aqui entrelaçado
se distendeu.
Um a um os pontos do tecido
se afrouxaram e 
quem já respirava sozinho
se afastou.

Permaneci tecendo e chorando e
olhando fixamente para a morada 
agora vazia.
Mesmo quando gostava
dos espaços vazios que são também
liberdade
continuava tecendo e chorando.
Quando tiveram início
as rachaduras nas paredes
temi e pedi ajuda,
e continuei tecendo e chorando.

Agora vi:
a casa se dissolveu em pó.
Espalhados pelo mundo,
respirando sozinhos,
ainda nos queremos,
mas já não podemos sustentar 
a morada-fortaleza.
Como fragmentos de areia na praia,
a morada se dissolveu em partículas
de amor soltas em liberdade.
A casa ruiu.

E eu caí em teus braços, Amor que confia.
Me leva para onde quiseres.

(Dezembro 2024)

Amigo

O que sei do Deus  é o calor da sua companhia. Transcendência que me acompanha no chão da vida, tecendo comigo a história que é o que sou. O...