Nos últimos anos construí
uma morada feita
de afeto segurança e
companhia,
quando os muros no mundo
eram muitos
e precisávamos
uns dos outros para respirar.
Na casa tinha gentes e bichos
e espaço para os que chegavam.
Tinha apoio para braços e
corações cansados
e abertura para acolher.
Quando frestas se abriram
nos muros lá fora,
o que se encontrava aqui entrelaçado
se distendeu.
Um a um os pontos do tecido
se afrouxaram e
quem já respirava sozinho
se afastou.
Permaneci tecendo e chorando e
olhando fixamente para a morada
agora vazia.
Mesmo quando gostava
dos espaços vazios que são também
liberdade
continuava tecendo e chorando.
Quando tiveram início
as rachaduras nas paredes
temi e pedi ajuda,
e continuei tecendo e chorando.
Agora vi:
a casa se dissolveu em pó.
Espalhados pelo mundo,
respirando sozinhos,
ainda nos queremos,
mas já não podemos sustentar
a morada-fortaleza.
Como fragmentos de areia na praia,
a morada se dissolveu em partículas
de amor soltas em liberdade.
A casa ruiu.
E eu caí em teus braços, Amor que confia.
Me leva para onde quiseres.
(Dezembro 2024)
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