terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

O Deus que me toma

 

é hora de dormir, mas não consigo
você me importuna, me alegra, me revive
meu corpo arde, mas não é desejo
é alegria em cada célula
prazer que se desdobra
no sorriso que força meu rosto
que finge tentar dormir

é hora de dormir, 
mas você não me deixa
povoa meu corpo como água 
que penetra a esponja nua
eu toda penetrada de você
por dentro, por fora, 
na carne, no rosto

como dormir nessa alegria?
como negar a sua entrada,
se te quero tanto?
durmo enfim com você em mim
e quando acordo sou nova outra vez

(Outubro de 2020)

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Um dia li: eu e o mundo chegamos ao ponto de trigo maduro. Queria outras palavras, mas essas são exatas.