Vejo no céu
tons de sangue
após o descer do sol.
No mesmo instante,
corre o ar fresco
que me preenche o espírito
e me põe aqui diante de Ti,
sem palavra e sem súplica,
nua sentindo o pulsar.
O que pulsa sou eu e Ti.
Um junto ao outro,
um no lugar do outro.
Por dentro,
e sobre o meu corpo,
nenhuma dor.
A única prece possível
é a que Te louva.
E a dor que sei que há,
porque lá está no mundo,
e que sei que em breve vai me assaltar
mais uma vez,
Te entrego,
como se fora
um tesouro,
pois é dessa dor
que nasce o amor que é o Teu.
(Setembro de 2020)
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