Conversa com o poema
"Lugar", de Laudeir Borges
(no livro Insonhos, Ed. do Autor)
Em mim, foi sempre o mar que
apesar de absoluto
apesar de absoluto
remexeu minhas pequenezas.
Além do mar,
lagoa
rio
riacho
córrego -
as águas todas
Além do mar,
lagoa
rio
riacho
córrego -
as águas todas
que me centravam em mim.
Mas a água é mole
e mole ficou meu centro.
Mas a água é mole
e mole ficou meu centro.
Do céu, sempre tive medo -
onde segurar?
como boiar?
Nem de avião eu gosto.
O que me faltou foi o chão.
A menina do mar
não teve chão -
balançava como um barco à deriva.
Mas passaram-se as décadas -
uma, duas, três, quatro, cinco e mais um pouco -
e pude ver nascerem frágeis raízes
para a menina do mar.
Tomei a memória da roça da infância e
desejei um quintal de terra.
O chãozinho em que moro hoje
não é meu e está numa cidade
em que não tenho laços,
mas é lindo e rico
com a árvore antiga que se impõe
e as fruteiras jovens que tanto dão.
Entre elas, a corrida das cachorras
e o entardecer com as cores do cerrado,
além de
cupins
formigas
sapos
lagartos.
com a árvore antiga que se impõe
e as fruteiras jovens que tanto dão.
Entre elas, a corrida das cachorras
e o entardecer com as cores do cerrado,
além de
cupins
formigas
sapos
lagartos.
Mas ainda sonho.
Para o futuro quero um chão de areia -
terra firme em frente ao mar.
Eu e Deus.
Para o futuro quero um chão de areia -
terra firme em frente ao mar.
Eu e Deus.
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