Ela olha pela janela à procura do beija-flor
que vem beijar a garrafinha que ela enche todos os dias
de água, açúcar e afeto.
Ela olha cada vaso de flor à procura de botões
e não se cansa de falar e mostrar a cada um que aparece.
Ela pergunta sobre o céu e a chuva
e agradece a Deus quando chove.
Ela quer ler todos os letreiros da TV
e saber de todas as novidades
da família e do mundo.
Não se cansa de estar pronta para ser abrigo e ajuda
para os que ama.
Mas é também pedra dura frente aos
que não ama.
Joga pedra em mulheres, gays, negros e pobres -
reproduz o que o mundo lhe ensinou.
E eu me recolhi em horror
vendo o horror das palavras e atos dela.
Me fechei em desamor,
pedi que Tu me ocupasses para amá-la,
Amor Maior.
Mas Tu me querias
abertura para mais amar.
E Tu me fizeste ouvir dela:
"não sabem que sou solidária?" -
para que meu coração desaguasse
em amor e perdão.
Minha mãe já foi uma rocha.
Agora se transforma num beija-flor.
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