Vejo fios de água turva
correrem por todo lado
na terra
nas árvores
nas casas
nas antenas
na pele das pessoas
como caminhos de
larva migrans.
Vejo os fios turvos
que correm entre
águas e ares
além da terra.
Não se misturam com nada
mas marcam tudo o que tocam.
Não é possível
limpar
a água turva.
Não é possível extingui-la.
Só o que podemos é restaurar
a beleza do que foi ferido por ela.
Curar embebendo com cuidado
e calma cada ferida -
até as mais expostas.
A água turva nasce no coração ferido.
Corre como todas as águas, seguindo seu leito.
Fere tudo por onde passa.
E cada ferida é nova fonte de água turva.
Lamber as feridas com amor desdobrado
é a única coisa que Ele nos ensinou.
Curar as feridas
é estancar as fontes do desamor.
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