que foi deixada sozinha.
Ela olhava perdida para onde
meus olhos a encontraram.
O olhar límpido me perguntava
e eu não sabia dizer por que
só ela estava ali.
Vi de perto a moça acompanhada
de quem não sabia amar.
Sofria e não entendia
por que o amor parecia
um rosário de perda e dor
e frustração.
O olhar cruzou o meu
e me acusou pelas más escolhas.
Vejo agora a mulher envelhecer.
O olhar profundo responde
numa mistura aguda de
dor e esperança.
Eu e o Amor que me escolheu
mergulham a menina e a moça
no mar que cura porque penetra
os buracos todos da dor antiga
que atraía os fios da água turva.
Embebida da água viva
que emana de Ti, Amor,
me perdoo por ter me deixado
enganar por tantos olhos turvos.
Eu procurava em vão as nascentes
limpas em meio à turbidez
porque eu mesma só via
por entre nuvens de dor e medo.
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