terça-feira, 29 de julho de 2025

Sagrada infame

Vejo os fios se entrecruzando
- misturas encontros desenlaces -
vejo os fios que se tornam 
frenéticos à medida em que 
tocam as águas profundas
do que sou.
Não há um segredo.
Há apenas o que sempre vi
sem saber nomear nem desenhar.
Assombro alegria espanto.
Gargalhada e pranto frente às belezas do mundo.
Entre elas o desejo que corre no sangue dos seres que têm vida.
Mais ainda naqueles que, sem saber, sabem.
Sabemos pouco dos fios frementes 
que percorrem nossas veias
como a linfa que faz viver.

Ah, a beleza infame e sagrada 
da linfa
que me faz viver
como sou.

E o que sou é um grito de desagravo contra tudo o que tentou me desviver.
    À mim e às outras.
    Filhas do desagravo.
    Filhas do Deus que liberta.
    Infames contra os deuses que aprisionam.
    Sagradas como a linfa.

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